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FISIOLOGIA DA LINGUAGEM E A EVOLU'CAO DO ENCEFALO
Publicado em: 10/04/2014

 FISIOLOGIA DA LINGUAGEM E A EVOLUÇÃO DO ENCÉFALO. (comentado)


This entry was posted on junho 1, 2011, in Categoria geral, Ciências biológicas. Bookmark the permalink. 3 Comentários
Em A VISÃO REDUCIONISTA DA EVOLUÇÃO HUMANA. FALANDO SOBRE A FALA (https://netnature.wordpress.com/2011/05/17/a-visao-reducionista-da-evolucao-humana-falando-sobre-a-fala/) apontei a evolução humana e o favorecimento da evolução da capacidade de falar associado ao reducionismo criacionista. Aqui apontarei ainda o reducionismo mas associado a fisiologia da fala e o sistema nervoso central.

Algumas mudanças genéticas ocorrem durante o desenvolvimento do cérebro ocorreram durante a evolução dos homem e chimpanzés por exemplo. Existem alguns genes que são mais expressos durante o desenvolvimento cerebral humano, mostrando uma complexidade maior nos cérebros humanos já que se diferenciam mais. O oposto ocorre nos chimpanzés cujo o cérebro se diferencia menos. Durante certa fase do desenvolvimento embrionário do homem, determinados genes são mais expressos em um hemisfério que em outro. Esses genes podem conferir diferenças evolutivas principalmente no que diz respeito ao desenvolvimento da fala. Por exemplo. O gene LM04 é mais expresso no hemisfério direito que no esquerdo durante a 12-14 semana do desenvolvimento embrionário, esse gene confere padrões corticais ao organismo. O gene FOXP2 está associado á fala e a déficits na fala, autismo e até dislexia, além disso, pode ser encontrado expresso em regiões corticais e subcorticais.

Mutações desses genes podem causar anormalidades da fala. O interessante é notar que humanos, pássaros, peixes, répteis e roedores apresentam variações desse mesmo gene principalmente no córtex, striatum, tálamo e cerebelo. Em determinadas estações esse gene é expresso nos pássaros Mandarin permitindo que ele aprenda a vocalizar e possa se reproduzir mais tarde. O mais importante é notar que as variações do gene FOXP2 estão presentes nos mais diferentes animais e estão ligadas a vocalização. Além disso, vimos que não somente Wernick e Broca estão ligadas a fala, mas outras estruturas como o córtex, striatum, tálamo e cerebelo.

Na realidade, a capacidade de falar se da por uma série de coordenações de movimentos envolvendo movimentos respiratórios, estruturas de ressonância da boca e cavidades nasais, atividade neural e expressão gênica.

No homem, a laringe que é responsável pela fonação age como um vibrador e chamamos essas cordas vibrantes de cordas vocais. Elas estão dispostas de forma paralela por diversos músculos no centro da glote. Quando estamos apenas respirando essas cordas ficam abertas permitindo a passagem do ar normalmente. Quando falamos, a passagem do ar é direcionada para passar entre essas cordas e a freqüência da vibração é determinada pelo grau de estiramento dessas cordas, que é realizado pelos músculos. Além disto, a fonação também está ligada a aproximação que essas cordas se apresentam entre si.

Os órgãos responsáveis pela articulação e a ressonância são a boca, nariz, faringe e a cavidade torácica. A qualidade da voz é dada pelo nariz, por isso quando estamos resfriados nossa voz fica meio “fanha”. Assim, o homem necessitou de mudanças em sua postura, que permitiu mudanças nasorofaringeas onde ele pode fazer o controle da respiração e da fala com coerência e o desenvolvimento de estruturas cerebrais e movimentação sincronizada na passagem do ar para controlar-lo com eficácia permitindo a vocalização e a sua sofisticação posteriormente.

As células se tornaram mais específicas e adquiriram formas diferentes e especializadas de acordo com os milhões de anos que se passaram. As células nervosas hoje apresentam características muito peculiares, tem a capacidade de produzir o seu potencial a sua própria despolarização, é o que de fato faz com que desempenhemos as mais diversas funções sejam elas motoras, cognitivas ou qualquer outra que seja, nossas células nervosas ainda apresentam diversas companheiras que atuam na sua manutenção.

Se produzir uma célula procariota já é difícil para muitos acreditarem imagine uma célula eucariota extremamente especializada em conduzir um potencial elétrico, todas as células tem um carregamento elétrico em si, no entanto nenhuma é capaz de produzir uma corrente elétrica específica como o neurônio, e ainda mais se tratando que essa micro-eletricidade seja a responsável pelos processos mais fabulosos de nossas vidas que persiste a milhões de anos. Os neurônios são células tão especializadas e diferenciadas que seu potencial de divisão foi suspendido. Diferente das células tronco.

O sistema nervoso de nós seres humanos tornou-se especializado de tal forma que nenhum computador da face da terra tem a capacidade de armazenar informações e desempenhar funções como o nosso cérebro. De fato o que nos torna tão especiais são as nossas conexões estabelecidas entre um neurônio e outro, chamadas de sinapses, são essas estruturas anatômicas que nos permitem desenvolver uma rede neural através dos cem bilhões de neurônios que apresentamos de baixo de nossa calota craniana.

 

Evolutivamente acredita-se que capacidade de executar uma infinidade de aspectos ligados a nossa mente seja dada não pelo nosso tamanho cerebral, mas sim pelo número de conexões sinápticas que os neurônios estabelecem entre si. Isso pode ser inferido pela linha evolutiva que o homem apresentou durante sua jornada e que já foi discutida aqui, referindo-se ao Homo floresiensis. Se o tamanho do cérebro conferisse grau de inteligência ou de QI maior então veríamos baleias e elefantes unificando as leis da física.

Mesmo assim, os neurônios ainda apresentam muitos aspectos importantes quando nos referimos a evolução. O nosso encéfalo, não apenas uma massa cinzenta formada por simples neurônios, assim como nosso corpo apresenta vários tecidos o nosso cérebro apresenta diversas áreas responsáveis por diferentes funções de nosso corpo. Os neurônios que fazem parte do córtex frontal são os mesmos que fazem parte do córtex entorrinal e do hipocampo, porém cada um é responsável por uma função diferente. Cada um secreta um neurotransmissor específico, dependendo dos genes que neles estão expressos. Desta forma é possível ver com clareza a complexidade do universo, seja do ponto de vista qualitativo com estratégias comportamentais das mais diversas possíveis e quantitativas com um encéfalo com mais de 100 bilhões de neurônios.

Uma visão reducionista do criacionismo destruiria a complexidade do universo. Não parece muito sensato dizer que em 6 dias um design conseguiria criar os bilhões e trilhões de eventos universais, além de acredita que a proposta que sustenta essa falácia seja uma ciência. Ao que me parece os 108 microbios contidos numa colher de areia, os 1020 grãos de areia de todas as praias do mundo, os 1041 átomos que ocorrem em toda a vida na Terra, os 1057 núcleos atômicos presentes no Sol e todas as 1080 partículas elementares da física (prótons elétrons e neutros) existentes no cosmo tenham sido criados em apenas 6 dias então não há complexidade no universo.

A ciência quer descobrir os eventos cosmológicos e biológicos e não quer banaliza-los de forma leviana conforme prega o cristianismo pseudo-cientifico chamado de criacionismo. Essa complexidade é fruto de algo muito maior do que um simples estalar de dedos de 6 dias.

Scritto da Rossetti

Palavras chave: Rossetti, Netnature, Sistema nervoso central, Evolução, Primatas


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