Você Sabia?  

Como o brincar ajuda a criança a ser independente?
Publicado em: 26/02/2016

 Este foi o foco da discussão conduzida por Lino de Macedo, Professor Titular do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, em recente evento. Confira!


Queremos compartilhar com você, profissional da Primeira Infância (período da gestação aos seis anos), um dos conteúdos discutidos durante o encontro com blogueiros, realizado no final de agosto de 2015, pela parceria entre Hospital Infantil Sabará, Fundação Itaú Social e FMCSV.
Professor Lino de Macedo fez várias e importantes provocações para nossas reflexões sobre o brincar nos primeiros anos de vida.
A criança nasce totalmente dependente do adulto. Quando passa a interagir com objetos e com seus pares, ela começa a se tornar independente, já que o mediador dessas situações é o próprio comportamento.


Os pequenos descobrem as características dos objetos que manipulam e exercitam o prazer de utilizá-los, fazendo descobertas sobre si mesmos e estabelecendo uma relação lúdica com o mundo, por meio do brincar.
Com a conquista da independência, a criança deixa de ser “parte” (o que vivencia na barriga da mãe) para se tornar um “todo” (ela mesma, como um ser único).


E qual o papel do adulto na brincadeira da criança? Usamos muito o termo cuidar como reflexo do amar, relacionado ao cotidiano (dar comida, manter a higiene, zelar pela saúde…). No entanto, existe um cuidar que vai além, que é o de importar-se, diretamente relacionado ao brincar.
Há quatro atores fundamentais para exercer esse cuidado: os pais; os educadores; os profissionais que atuam pelo bem-estar dos pequenos (profissionais da saúde, da educação, assistentes sociais, cuidadores) e os gestores, as ONGs e todos que atuam para que o direito de brincar seja garantido.


A partir do momento em que o adulto assume o seu papel nessa relação, ele ajuda a criança a conquistar a interdependência. No entanto, uma parte dos pais acaba terceirizando suas atribuições, inclusive o brincar. Há vários motivos para isso, mas é importante entender que a criança precisa conhecer seu pai e sua mãe em situações diferentes das do cotidiano e é no brincar que isso acontece. No contexto da brincadeira, as relações se igualam, vale sonhar, imaginar, tudo é mais leve e lúdico. É também pelo brincar que o adulto demonstra que ele se importa com a criança do jeito que ela precisa sentir e entender.


Os educadores, sobretudo de crianças pequenas, acabam se preocupando mais em cumprir as tarefas da rotina da creche ou pré-escola. Muitos só consideram importante focar no brincar a partir dos dois anos. É preciso que todos entendam que o brincar é o currículo da Primeira Infância. É a “vitamina” para o desenvolvimento.


Alguns profissionais da Saúde e da Assistência Social não veem relação entre o brincar e algo tão “sério” tratado por suas áreas. Pesquisas indicam que brincar de videogame em grupos, por exemplo, é mais eficiente do que doses do remédio pré-cirúrgico e ansiolítico Midazolam.
“Somos uma sociedade de brinquedos e livros. É o presente de aniversário, o de Natal. Mas só isso não adianta. Os adultos perderam o seu repertório do brincar e por isso têm tanta dificuldade de interagir com a criança pela brincadeira. É preciso mudar esse olhar, importar-se com a criança, entrar no seu mundo”, reforça. E complementa: “Uma criança que não brinca é uma criança doente, porque não se sente importante”.

 


Fonte: http://desenvolvimento-infantil.blog.br/

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