Você Sabia?  

Autismo, Linguagem, Comunicação Aumentativa e Alternativa
Publicado em: 09/03/2016

 Você já ouviu falar sobre os ratos?

Originalmente publicado no Blog Speak for Yourself
por Heidi LoStracco

Há um estudo, em que Bob Rosenthal, pesquisador, pegou um grupo de ratos comuns e medianos e os dividiu aleatoriamente em dois grupos. Ele colocou o rótulo "Inteligentes" em uma das gaiolas e o rótulo "Tapados" na outra. Cada grupo, com as etiquetas afixadas, foi entregue a pesquisadores cujo objetivo era ensinar aos ratos a percorrer o mesmo tipo de labirinto.

Eis o que aconteceu: Os ratos que foram rotulados como "Inteligentes" aprenderam a percorrer o labirinto rapidamente. Durante o processo de ensino, os pesquisadores quem estavam trabalhando com eles falaram positivamente sobre seus ratos e ficaram animados com o seu progresso. Por outro lado, os pesquisadores falaram negativamente sobre os ratos "tapados" e os culparam por sua falta de capacidade e seu lento progresso. Os ratos "inteligentes" se saíram quase duas vezes melhor que os ratos "tapados".

Lembre-se, não havia nada de diferente nos ratos.

Rosenthal e seus pesquisadores descobriram que havia diferenças sutis, quase imperceptíveis no comportamento do pesquisadores em relação aos ratos. Pequenas diferenças na maneira que os ratos eram manipulados. Os ratos "inteligentes" foram tratados com mais cuidado e guiados para os caminhos corretos através do labirinto porque acreditavam que eles tinham a capacidade de aprender rapidamente e ter sucesso. Eram vistos como capazes, competentes e valorosos. Essas percepções e expectativas elevadas mudaram a forma como foram tratados. E, mais importante, mudaram seu resultado.

O resultado de um rato foi alterado pela expectativa de uma pessoa sobre ele.

Você provavelmente imagina que eu não estou escrevendo isso porque eu me importo profundamente com os ratos. Ao que parece, esses "efeitos de expectativa" também são vistos em pessoas, particularmente em relação a estudantes. Recentemente, assisti a um podcast sobre esse assunto ("Como se tornar Batman" em Invisibilia). Nele, falam sobre o estudo em ratos por alguns minutos e entrevistam Carol Dweck, um pesquisador de Stanford, que explica que os efeitos de expectativa ocorrem em um continuum. Assim, por exemplo, acreditar que alguém pode voar não vai fazer isso acontecer, mas acreditar que os estudantes são inteligentes, de fato, aumenta o seu QI.

Parece inacreditável, certo? É uma ideia poderosa pensar que podemos mudar alguém por pensar que algo é possível... ou não é possível. Tenha em mente, funciona nos dois sentidos.

Altas expectativas envolvem algum risco. Se temos expectativas, corremos o risco de nos decepcionar. Corremos o risco ter esperanças "altas demais". A beleza das expectativas é que elas são internas. Podemos defini-las tão alto quanto nós queremos, sem colocar pressão sobre ninguém, mas as pessoas vão sentir nossas expectativas em nossas interações com elas. Esperar que um indivíduo com pouco controle muscular e coordenação, disartria grave e incapacidade de controlar de forma confiável o seu corpo vai falar não significa que isso vai acontecer.

No entanto, vamos pensar sobre o que vai acontecer.

Se você tem a expectativa de que as pessoas conseguirão falar, você também terá a expectativa de que elas compreendam o que está sendo dito ao seu redor. Você irá falar com elas, se envolver com elas, explicar o que está fazendo e narrar seu dia. Você as tratará como se esperasse que elas, no fim, se tornem um/a parceiro/a de conversa. Você se decepcionará se eles não começarem a falar? Talvez, mas você pode ajustar a sua expectativa para superar as barreiras que estão impedindo o discurso oral.

Você pode aumentar suas expectativas.

Você pode ter a expectativa de que seus alunos se comuniquem usando comunicação aumentativa e alternativa (CAA). Sim, você teria que elevar suas expectativas a ponto de acreditar que podem aprender a se comunicar usando CAA. Você precisaria ter a expectativa de que esses alunos vão aprender uma nova linguagem, vão lembrar onde as palavras estão localizadas e serão capazes de expressar o que querem dizer com os botões que você lhes deu. Você precisaria ter a expectativa de que podem aprender linguagem e comunicação, sem o luxo de expressão oral. Você precisaria ter a expectativa de que eles têm muito a dizer e estão à espera de alguém para lhes dar as palavras necessárias para que encontrem o caminho para fora de seu labirinto de pensamentos. Você precisaria ter expectativa suficiente a respeito de si mesmo/a para acreditar que você é esse alguém.

Seus pensamentos sobre a capacidade de uma criança ou um aluno afeta o seu resultado, mesmo se você nunca falar deles. Altas expectativas não são o oposto da realidade. Há pesquisas baseadas em evidências: as expectativas moldam a realidade!

Você tem a capacidade de mudar outra pessoa... para melhor ou pior. Mesmo que você acredite que já presume competência quanto ao desempenho de seu(s) usuário(s) de CAA, tenha expectativas maiores. Deixe de lado seu medo de se decepcionar e considere as possibilidades. Mantenha uma expectativa de sucesso quanto a comunicação, relações sociais e amizades, letramento, faculdade, emprego, porque não há um fim conhecido para o continuum do "efeito expectativa". Suas expectativas hoje podem mudar o resultado de alguém. Que hoje seja o dia em que você eleve suas expectativas.

Originalmente publicado em 25 de fevereiro de 2016 por Heidi LoStracco (mestre e fonoaudióloga) no Blog Speak for Yourself AAC - traduzido e postado com permissão da autora


Contato
sheilapsicopedagoga@hotmail.com
Copyright © - 2011 - Todos os direitos reservados - Desenvolvido por Daniela Barbosa
Facebook Twitter