Você Sabia?  

Aprendizagm HUmana
Publicado em: 24/03/2014

       Aprender não se vincula mais à genuína transmissão de saberes, e quase todos nós já compreendemos esta mudança há um bom tempo. Transmitir informações pode algumas vezes gerar curiosidade e despertar a busca, o que futuramente poderá até tornar-se aprendizado. No entanto, aprender na atualidade tem muito mais relação com o desejo do que se pretende descobrir. Está muito mais relacionado ao vínculo ou significado que as coisaspossuem para as pessoas, do que propriamente ouvir, ler e, em consequência, aprender. Ler e ouvir já foram elementos essenciais, hoje, continuam tendo valor, mas são insuficientes. Nas práticas pedagógicas da maior parte das nossas escolas brasileiras será que de fato essa concepção contemporânea é significativa?

    Não é preciso dedicação excessiva para que a aprendizagem aconteça de modo eficaz, nem mesmo concepções inovadoras momentâneas, pois estas também se esvaziam com o passar do tempo. Não é necessário “mimar” nem “orientar” demais os filhos ou alunos para que tenham interesse pela aprendizagem. Se os pais, em casa, durante as tarefas e estudos para as provas, e também os professores em suas aulas, priorizarem qualidade na interação, na comunicação, na motivação, nos conhecimentos prévios, nos exemplos, etc., a possibilidade da aprendizagem se ampliará significativamente. O que trava o interesse, em muitos casos, é a distância entre os pensamentos reais daquele que precisa aprender e o que de fato ele pensa nos momentos de estudo, leitura e escuta. São os abismos entre aprendizagem, atenção, interesse e motivação que mais atrapalham.

    É preciso que o prazer, a ternura e o ambiente saudável sejam realidades constantes, e isso não depende de contemporaneidade, pois vale sempre. E é exatamente neste ponto que muitos precisam reconhecer o quanto falham, ainda que não queiram fazer isso de forma alguma. A vida atribulada demais – se não de todas as pessoas, certamente da maioria – é o que mais impede a existência de momentos verdadeiramente interessantes, prazerosos e envolventes na sedimentação dos pilares da aprendizagem.

      Praticamente não existe mais tanta paciência e tempo para algumas coisas, como acontecia há algumas décadas, onde as pessoas não tinham tantos compromissos como hoje. Existem exceções? Sim, sem dúvida alguma. Várias famílias praticam costumes bem raros, mas são minorias.

      O modo de viver, hoje, com acesso aos cinemas, bibliotecas, livros, teatros, internet, aparelhos tecnológicos, e muito mais, insere cada um de nós em contextos interessantíssimos, vivos, completamente propícios aos processos de despertamento do aprender, nós é que ainda aproveitamos muito pouco disso tudo em termos de aprendizagem. Ou seja, o tempo todo estamos cingidos de possibilidades de aprendizagem, com ricos significados e novas construções. O que ainda precisamos fazer para que nossos filhos e alunos se beneficiem qualitativamente de todo esse universo informativo, é apropriar-se dele, fazendo comparações, construindo diálogos, opinando, argumentando, construindo ideias. Isso tudo acontece tanto quanto deveria no cotidiano de estudos, seja em casa ou na escola? São riquezas que estamos aprendendo a praticar, pois não eram tão necessárias, como atualmente.

        Ter informação disponível não significa aprender, ou seja, informar não é conhecer. Transmitir também não. É preciso despertar nas gerações atuais a capacidade de adquirir conhecimento. Isso diz respeito à transformação das informações disponíveis em conhecimento, que por sua vez é viável e acessível se feito com participação ativa, atenta e de modo prazeroso, com reforço positivo, sem que haja, por exemplo, pressão. O fazer pelo fazer – que é sinônimo de pura obrigação, sem nenhum comprometimento coerente – quando se torna hábito, corrompe a chance do prazer em aprender!

      Ajudar crianças e adolescentes a desenvolverem a capacidade de aprendizagem, implica fundamentalmente em capacidade de organização; física, espacial e mental. Além disso, necessita de estímulos adequados, confiança e vínculo positivo entre quem ensina e quem aprende, assim como exige admiração, vontade, envolvimento, prazer. Sem esses elementos, é quase impossível. O pior é que tem muitos alunos e filhos envolvidos em cenários altamente desfavoráveis. Alerta: sempre é tempo de retomar e fazer de cada vivência uma oportunidade de aprimoramento das ações. O que não pode prevalecer é a imposição, que gera desprazer e descompromisso!

         O clima envolvente, tanto em casa como na escola, de cooperação, parceria e respeito formam o alicerce necessário para permitir adequados processos de construção da aprendizagem. Os próprios adultos quando conseguem aprender, entendem como tudo isso que foi descrito aqui se torna essencial para alavancar ou travar o envolvimento com a aprendizagem. E então, como estão estes processos de ensinar e aprender na nossa sociedade? Podemos otimizá-los, não podemos?

           Roberta Leal Pimentel é criadora do Blog Aprendizagem Humana, mestre em educação, especialista em psicopedagogia e neuroeducação e pedagoga.


Fonte: Blog Aprendizagem Humana

Contato
sheilapsicopedagoga@hotmail.com
Copyright © - 2011 - Todos os direitos reservados - Desenvolvido por Daniela Barbosa
Facebook Twitter